sexta-feira, Outubro 31, 2014

TIM COOK

 
Tim Cook, presidente da Apple, saiu ontem do armário: «Ser gay foi um dos maiores presentes que Deus me deu Amanhã, 1 de Novembro, a celebração do seu 54.º aniversário vai com certeza ser diferente das anteriores.

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quinta-feira, Outubro 30, 2014

RAY BRADBURY

 
Hoje na Sábado escrevo sobre Teremos Sempre Paris, colectânea de contos de Ray Bradbury (1920-2012), autor que associamos à ficção científica e, sobretudo, a Fahrenheit 451, o romance distópico sobre o Macarthismo que Bradbury publicou em 1953 e Truffaut levou ao cinema em 1966. Infelizmente, Bradbury não tem tido fortuna na edição portuguesa, estando embora traduzidos os dois ou três livros mais conhecidos. O livro junta 21 contos, escritos entre a juventude e a velhice, fechando com um poema que faz a radiografia do estado actual do mundo: «Nós somos o sonho que as outras pessoas sonham. [...] Que idiotas!, dizem os recém-chegados do Chade. / Vocês são loucos!, gritam os iraquianos. [...] Dez mil pessoas surgem todas as semanas / Na vossa costa, / E vocês não sabem a razão dos gritos deles [...] Vocês são o sonho que as outras pessoas sonham.» Como o traço distintivo desta colectânea tardia é o carácter ambíguo da maioria dos textos, o poema faz um contraponto radical. O conto que dá o título ao conjunto é um dos melhores. Mas quem nunca leu Bradbury, e leia agora contos como “Massinello Pietro”, “A Visita”, “A Mamã Perkins Veio Para Ficar”, “Vem Comigo”, “Últimas Gargalhadas” e “Um Encontro Literário”, percebe que descobriu um grande autor.

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ACTA EST FABULA IV


Depois do primeiro e do terceiro, é hoje lançado o quarto volume de Acta Est Fabula. Memórias IV  —  Peregrinação (1976-1995), de Eugénio Lisboa. Nele podemos acompanhar as andanças do autor por Joanesburgo, Paris, Estocolmo e por último Londres, cidade onde viveu cerca de dezoito anos, exercendo o cargo de conselheiro cultural na Embaixada de Portugal.

A obra será apresentada por Otília Pires Martins, da Universidade de Aveiro. A sessão terá lugar pelas 18:30, no Centro Nacional de Cultura, ali ao Chiado. Clique na imagem para ler mais detalhes do convite. Editou a Opera Omnia.

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terça-feira, Outubro 28, 2014

A GRÃ-CRUZ

 
Um antigo secretário de Estado de um governo do PS escreveu uma carta aberta ao Presidente da República questionando-o pela não atribuição da Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo a José Sócrates. Ontem, Manuel Alegre enfatizou a indignação. A referida Grã-Cruz tem sido atribuída a todos os primeiros-ministros cessantes. Sócrates é a excepção.

Uma tal omissão envergonha o Estado, mas não podemos admirar-nos. Cavaco Silva interpreta o protocolo de Estado ao sabor dos seus humores. Sócrates devia pedir contenção aos seus camaradas.

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segunda-feira, Outubro 27, 2014

DILMA, AGAIN

 
Com cerca de 55 milhões de votos, número que corresponde a 51,7% do total, Dilma Rousseff foi reeleita. É uma boa notícia. Clique na imagem.

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quinta-feira, Outubro 23, 2014

MURO DA VERGONHA

 
A foto de José Palazón que hoje faz capa do El Mundo dispensa comentários. Em Melilla, a poucos metros de um clube de golfe, emigrantes ilegais tentam saltar o muro que os separa de Espanha e do sonho europeu. Entre o muro e o green existe uma vala profunda. Nada que perturbe os golfistas. Clique na imagem.

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A SAÚDE A QUE TEMOS DIREITO

 
Pensava que já tinha visto tudo? Evidência: quanto mais se bate no fundo, mais o fundo cede. A cacha é do Diário de Notícias. Clique.

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ELEANOR CATTON

 
Hoje na Sábado escrevo sobre Os Luminares, da neozelandesa Eleanor Catton (n. 1985), que com este segundo romance ganhou o Man Booker Prize 2013. A carapaça de historicismo que envolve o thriller, porque de um thriller se trata, empresta ao tema uma aura de “respeitabilidade”. Os amantes de astronomia encontram aqui farta matéria de reflexão. Em nota prévia, a autora explica a influência dos equinócios (em particular nas latitudes do Sul, pois a região de Hokitika é o centro da acção) no desenrolar da intriga. Catton dá especial atenção à Era de Peixes, «uma era de espelhos, de tenacidade, de instinto, de geminação e de coisas ocultas.» Com uma excepção, a tábua de personagens divide-as em estelares e planetárias. As do segundo grupo têm indexada a influência dominante: razão, desejo, força, etc. Embora associados aos doze signos, os homens «reunidos no salão de fumo do Hotel Crown» não estão ali por acaso. Que segredo convocou um grupo tão heterodoxo? E terá sido fruto do acaso a inesperada loquacidade do fleumático Moody? Nada disto retira fluência à escrita de Catton, que domina bem os diferentes níveis narrativos. A focalização omnisciente enfatiza a descrição de ambientes e o perfil psicológico das personagens. Tudo é detalhado ao mais ínfimo pormenor. Porém, lá onde Dickens faria o mesmo com um terço dos recursos, Catton sente necessidade de provar que “sabe”. E para trazer de volta o romance vitoriano, conceptualizado de forma a mobilizar leitores contemporâneos, novecentas páginas parece-me excessivo. Sem perder de vista a influência dos astros em cada situação concreta, Catton constrói uma intricada rede de identidades trocadas, corrida ao ouro, violência passional, antros de ópio, prostituição, fraude, chantagem, roubo, morte, espiritismo, etc., em pleno século XIX (1865-66), numa longínqua ilha da Nova Zelândia. Na sua aparente toada dickensiana, a trama progride apoiada numa cerrada estrutura de significados que tem o óbice de secundarizar a tensão dramática. Em todo o caso, não se assuste com as trezentas e oitenta páginas da Primeira Parte do livro, pois, à medida que a história avança, elas encolhem. Sem contar com os mapas astrológicos a servir de ornamento (quantos leitores os sabem interpretar?), a Décima Primeira e a Décima Segunda partes têm apenas duas páginas cada uma.

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terça-feira, Outubro 21, 2014

AINDA SOMOS UM ESTADO DE DIREITO?

 
É só surpresas, o OE 2015. A cacha é do Diário Económico. Clique.

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sexta-feira, Outubro 17, 2014

SE A CATÓLICA O DIZ

 
Resultados hoje divulgados pelo CESOP da Universidade Católica. Sondagem para o Diário de Notícias, RTP, Jornal de Notícias e Antena Um. Clique para ver melhor.

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quinta-feira, Outubro 16, 2014

DONNA TARTT


Hoje na Sábado escrevo sobre três livros. Resumos:

O Pintassilgo, de Donna Tartt (n. 1963), que regressou após um silêncio de onze anos e venceu o Pulitzer de 2013. Neste terceiro romance, Tartt continua a surpreender pelo à-vontade com que submerge o leitor num universo de violência. O foco da história é o Pintassilgo (1654) do pintor holandês Carel Fabritius. O romance inclui em hors-texte a reprodução do quadro. Com os seus avanços e recuos, O Pintassilgo de Tartt é um retrato da América contemporânea, saltando da costa Leste para a costa Oeste, das casas elegantes do Upper East Side para o submundo dos deserdados. Estamos a falar de um thriller centrado no roubo de obras de arte. Na obra de Tartt, a disfuncionalidade de certas famílias das altas classes-médias é um território de excelência. A autora tem uma escrita limpa até ao osso, despida de floreados, capaz de notações em grande angular com o uso minimalista da retórica. Há um traço distintivo: os seus adolescentes, e não apenas neste romance, têm uma cultura muito acima da média. Se não são meninos-prodígio, andam lá perto: discutem Gluck, T. E. Lawrence, cinema europeu, Eugene Onegin (Pushkin), etc. Longe de matizar o lado negro das suas personalidades atormentadas, acrescenta um verniz de perversidade à dissolução.

Monte Cativo e Outras Ficções, de Jorge de Sena (1919-1978). O volume colige a ficção que o autor escreveu entre 1936 e o início dos anos 1960, com a década de 1940 bem representada. Além da juvenília, inclui os dois contos de Génesis, bem como A Personagem Total, romance inacabado, «o texto mais ambicioso, e mais oficinal, com o seu jogo de níveis narrativos», como faz notar Jorge Fazenda Lourenço, responsável pela edição das obras completas de Sena. Monte Cativo pretendia ser, em quatro volumes, o retrato de um certo Portugal, entre 1936 e 1965. A morte de Sena impediu que fosse além do primeiro  —  Sinais de Fogo  —, mas podemos ler aqui alguns fragmentos do projecto. Publicou a Guimarães.

O Grande Jacques Coeur, de Jean-Christophe Rufin (n. 1952), antigo embaixador da França no Senegal e autor de romances, ensaios e récits. Trata-se da biografia romanceada do homem mais rico de França no reinado de Carlos VII, tão rico que financiou do seu bolso o fim da Guerra dos Cem Anos. Mas a morte inesperada de Agnès Sorel, favorita do rei, foi-lhe imputada, e Jacques Coeur (1395-1456) caiu em desgraça: expulso da corte, preso e torturado, os bens confiscados, consegue fugir e exilar-se com o auxílio do Papa Nicolau V. Dadas as suas intervenções no Levante, em especial no Sudão e no Egipto, pode-se dizer, com ironia mas sem beliscar a verdade, que Coeur foi um banqueiro atento à importância das questões multiculturais. Matéria romanesca não falta. O livro é narrado pelo próprio Coeur, mas, infelizmente, não conseguimos “ouvir” um homem do século XV. O Coeur de Rufin fala como um homem dos nossos dias. É esse o grande óbice. Publicou a Porto Editora.

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quarta-feira, Outubro 15, 2014

O CONSULTOR


O italiano Paolo Pinamonti, director do Teatro da Zarzuela de Madrid desde Setembro de 2011, cargo que ocupa a tempo inteiro, foi contratado pela Secretaria de Estado da Cultura como consultor artístico do Teatro Nacional de São Carlos em Janeiro de 2014. Lembrar que Pinamonti foi director artístico do São Carlos entre 2001 e Março de 2007, altura em que o musicólogo Mário Vieira de Carvalho, então secretário de Estado da Cultura, o dispensou. O governo de Sócrates tencionava cortar oitocentos mil euros no orçamento do São Carlos para 2007 e, nessas condições, Pinamonti manifestou (em carta de Setembro de 2006 dirigida a Isabel Pires de Lima, ministra da Cultura) a sua indisponibilidade para continuar na direcção do teatro. Pinamonti foi para a Coruña. Os detalhes e o diz-que-disse constam de uma entrevista dada por Pinamonti a Luciana Leiderfarb, publicada no Expresso em 18 de Março de 2007.

Entretanto, pela mão de Jorge Barreto Xavier, actual secretário de Estado da Cultura, Pinamonti voltou ao Chiado há dez meses, na qualidade de “consultor artístico”. Regressou com um contrato de prestação de serviços, com a duração de três anos. Mas ninguém sabe o que o senhor faz exactamente nem o montante da remuneração. O Portal Base do governo é omisso. Em Junho, questionado no Parlamento, Jorge Barreto Xavier alegou desconhecimento do articulado contratual.

Agora, um grupo de deputados do PS enviou à SEC um requerimento com cinco perguntas: «Qual o regime contratual que rege a prestação de serviços do consultor artístico Paolo Pinamonti ao Teatro Nacional de São Carlos?» / «Qual o montante da retribuição anual prevista nesse contrato e qual a sua duração?» / «Qual o regime contratual que rege a prestação de serviços da maestrina Joana Carneiro na Orquestra Sinfónica Portuguesa?» / «Qual o montante de retribuição anual previsto nesse contrato e qual a duração?» / «Qual a razão por que estes contratos não constam na plataforma online Portal Base, conforme obriga o Código de Contratos Públicos?»

Estamos todos cheios de curiosidade.

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terça-feira, Outubro 14, 2014

CAIR NA REAL

 
Artur Mas, presidente da Generalitat, reconheceu ontem a impossibilidade de efectuar o referendo sobre a independência da Catalunha. Disse ele: La votación no puede celebrarse por falta de garantías legales y les propuso la alternativa de organizar un proceso de participación ciudadana para conocer la opinión de los catalanes sobre el futuro político de la comunidad. Os quatro partidos catalães que apoiam o referendo (CiU, ERC, ICV, CUP) ficaram estupefactos. A imagem é do Público.

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TAMBÉM TU, FRANCISCO?

 
O Sínodo dos Bispos dedicado às questões da Família, a decorrer no Vaticano, propõe uma mudança da posição oficial da Igreja face aos homossexuais, tendo o Papa Francisco afirmado que a comunidade homossexual tem o direito a participar na vida da comunidade católica. Disse mais: face à banalização do adultério e dos divórcios, bem como à duplicidade de comportamentos (suponho que Sua Santidade se refere aos heteros que pulam a cerca), torna-se necessário reconhecer os aspectos positivos do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O Sínodo termina no próximo dia 25. Clique na imagem.

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domingo, Outubro 12, 2014

CITAÇÃO, 502


Pedro Marques Lopes, O maior incompetente, hoje no Diário de Notícias. Excertos, sublinhados meus:

«Não entendo a surpresa de tanta gente com a permanência de Paula Teixeira da Cruz e de Nuno Crato no governo. [...]

Como é público e notório, nenhum dos dois ministros tem consciência da sua incompetência. Um escarnece dos cidadãos e das vidas de milhares de alunos e muitos professores brincando com tempos verbais. A senhora ministra, no intervalo da sua enésima declaração sobre pedofilia, diz que o que se passa nos tribunais não é grave, ou seja, a justiça civil parada é apenas um contratempo. E até pedem desculpa, como se a gravidade dos seus erros políticos fosse apenas uma travessura. Sendo este um governo que fala tanto do exemplo da gestão de empresas privadas  —  apesar de tão poucos terem esse tipo de experiência a sério  —, talvez não fosse má ideia perguntar a um homem com provas dadas, António Pires de Lima, por exemplo, o que faria a um seu administrador que decidisse fazer uma mudança no software e que por causa disso a empresa ficasse sem poder faturar dois meses ou mais. Ou a um que mudasse um sistema de alocação de recursos e o resultado fosse a incapacidade duma fábrica funcionar normalmente.

O disfarce comum para a incompetência e a ignorância é a ideologia. Ou melhor, a invenção duma qualquer ideologia. É por isso que ouvimos que isto são apenas problemas normais que acontecem sempre nas grandes transformações.

Passos Coelho aguentará estes autênticos símbolos de incompetência o mais que puder [...] convencido de que eles esconderão a de quem os escolheu e promoveu. Vai tarde. Já todos percebemos quem é o maior incompetente. [...]»

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sexta-feira, Outubro 10, 2014

ONDA COSTA

 
Expresso Diário, hoje. Clique.

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SAUDADES DA LITERATURA FRANCESA


Ter ficado desapontado com a escolha do Patrick Modiano para Nobel da Literatura 2014 não significa menosprezo pela literatura francesa, que tem pergaminhos de sobra, mas, nos últimos 50 anos, não revelou nenhum grande autor. Estou a falar de ficção, poesia e dramaturgia. Se, nos obscuros equilíbrios da Academia Sueca, este era o ano da França, teria preferido que o prémio fosse para Michel Houellebecq ou Bernard-Henri Lévy.

Uma literatura que deu ao mundo Balzac, Baudelaire, Beauvoir, Bernanos, Camus, Céline, Char, Claudel, Cocteau, Corneille, Diderot, Du Gard, Duras, Éluard, Flaubert, Genet, Gide, Gracq, Hugo, Laclos, La Fontaine, Laforgue, Larbaud, Lautréamont, Leduc, Mallarmé, Malraux, Marivaux, Maupassant, Molière, Montherlant, Nerval, Perec, Peyrefitte, Prévert, Proust, Rabelais, Racine, Reverdy, Rimbaud, Ronsard, Rousseau, Sade, Sarraute, Sartre, Simenon, Stendhal, Troyat, Vailland, Valéry, Verlaine, Villon, Voltaire, Yourcenar, Zola, etc., dispensa caução de terceiros. Por razões óbvias, não meto aqui o Barthes, o Foucault e o Montaigne, trio que muito admiro. Portanto, nada contra a literatura francesa.

Em Portugal há tanta obra-prima francesa esgotada que os nossos editores têm muito por onde escolher. A Bastarda de Violette Leduc (1907-1972) é um exemplo entre muitos. A edição que a Portugália editou em 1966 foi traduzida de forma irrepreensível pela romancista Natália Nunes e inclui o prefácio de Simone de Beauvoir. A capa é de João da Câmara Leme.

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quinta-feira, Outubro 09, 2014

NOBEL DA LITERATURA 2014


Patrick Modiano, francês, 69 anos, autor de vinte e oito romances publicados a partir de 1968, é o laureado com o Nobel da Literatura 2014. Escrevi sobre um dos seus livros, L’Horizon / O Horizonte, publicado pela Porto Editora.

Excerto do meu texto: «Com a propensão que tem para o ditirambo, alguma crítica francesa considera Patrick Modiano o maior escritor da “Langue” depois de Proust. Descontado o exagero, Modiano é o autor de uma obra de proporções assinaláveis, várias vezes premiada. A sua ligação ao cinema, escrevendo para realizadores como Malle, Mizrahi, Rappeneau e outros, potenciou a fama. [...] Oriundo de uma família judaica que sofreu as consequências do horror nazi, Modiano desenvolveu nos primeiros livros uma visão historicista da França. Mas, a partir de Rue des Boutiques Obscures (1978), vencedor do Goncourt, a obra sofreu uma inflexão. [...]» — revista Sábado, 8 de Dezembro de 2011.

Então ficamos assim.

[Imagem: Modiano fotografado em 1975 por Sophie Bassouls. Clique.]

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EFEITO COSTA

 
As sondagens valem o que valem, mas são um barómetro da realidade. Segundo a Aximage, em estudo para o Correio da Manhã, se as eleições fossem hoje, o PS obteria 40,2% dos votos. O PSD não passava de 27,4%. Em Setembro, com Seguro, a diferença entre os dois partidos era de 2,3% a favor do PS. Agora, com Costa, passou a ser de 12,8% a favor do PS. Sobre quem merece mais confiança para primeiro-ministro, Costa vence com 56,2%. PPC não vai além de 31,1%. Clique na imagem para ver melhor.

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segunda-feira, Outubro 06, 2014

DILMA

 
Nas presidenciais brasileiras, ontem realizadas, Dilma Rousseff ganhou a primeira volta com 41,6% e disputará a segunda com Aécio Neves, que obteve 33,5%. Marina Silva obteve 21,3% e apela ao voto em Aécio. Lá como cá, é sempre assim: na hora da verdade, a esquerda radical prefere apoiar a Direita em detrimento da Esquerda tradicional.

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sábado, Outubro 04, 2014

MAIS UM

 
Depois dos jornalistas americanos James Foley e Steven Sotloff, do escocês David Haines, trabalhador de uma agência humanitária, e do francês Hervé Gourdel, guia de montanha (executado na Argélia), foi ontem decapitado o taxista inglês Alan Henning. Ontem mesmo, o ISIS anunciou que o americano Peter Kassig, trabalhador de uma agência privada de segurança, será o próximo. Enquanto isso, os senhores Obama, Cameron e Hollande, mais uma dúzia de impedidos de terceira linha, andam entretidos com os seus raids aéreos.

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sexta-feira, Outubro 03, 2014

THOMAS PIKETTY

 
Chegou às livrarias. A tradução de Sarah Adamopoulos é uma garantia. Thomas Piketty, 43 anos, normalien, é professor na École des Hautes Études en Sciences Sociales e na École d’Économie de Paris. Também já deu aulas no MIT. Marx teria gostado da sequela.

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quinta-feira, Outubro 02, 2014

QUEM ÉS TU?

 
Quem será a misteriosa personagem? Soares tem razão: se Ricardo Salgado abrir o jogo, nada ficará como dantes. A imagem é do jornal i. Clique.

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SIMON SEBAG MONTEFIORE


Hoje na Sábado escrevo sobre Uma Noite de Inverno, de Simon Sebag Montefiore (n. 1965), jornalista britânico que frequenta a família real e trata Cameron por tu. Montefiore, que goza da reputação de ser especialista em assuntos russos, nasceu no seio de uma família de judeus-sefarditas e é autor de ensaios e romances históricos, uma biografia de Estaline e uma história de Jerusalém a partir da qual a BBC fez uma série de televisão. Uma Noite de Inverno descreve a vida em Moscovo na segunda metade dos anos 1940, vista a partir do quotidiano das elites soviéticas. Algumas personagens são reais (o próprio Estaline, Beria, Zhukov, o embaixador americano Averell Harriman, etc.), e várias outras transitam do romance anterior, Sashenka. Tema central: os anos do estalinismo, em especial a partir de 1945, quando o anti-semitismo do líder soviético atingiu o zénite. A história inspira-se em factos verídicos, mas o autor alterou a data da morte de dois adolescentes “dourados”, ambos com dezoito anos. A realidade encontra-se detalhada em Estaline: a corte do czar vermelho, obra de Montefiore traduzida em Portugal em 2007. Infelizmente, Montefiore não é Henri Troyat. Publicou a Dom Quixote.

Escrevo ainda sobre O que nos separa dos outros por causa de um copo de whisky, novela de Patrícia Reis (n. 1970) que recebeu o Prémio Nacional de Literatura Lions de Portugal 2013-2014. O monólogo interior não abdica do pacto ficcional. É irrelevante que o cenário seja um bar de Macau, lugar tão bom como qualquer outro «para perder a razão». Por comparação com a maioria dos ficcionistas portugueses revelados na última década, Patrícia Reis domina a técnica narrativa com propriedade. Lá onde quase todos tropeçam nas “ideias”, sem cuidar do acerto da língua, a autora de Contracorpo tem voz própria. Não é a primeira vez que o digo, mas certas evidências ganham em ser repetidas. Nem de propósito, o tema (a ilusão de chegar à Literatura com o pé de cabra da escrita criativa) é glosado com sarcasmo pelo narrador. O mal de vivre subsume o essencial: o inferno são os outros? A resposta fica em aberto. Publicou a Dom Quixote.

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quarta-feira, Outubro 01, 2014

ATÉ QUE ENFIM

 
Entrou hoje em vigor a Lei n.º 69/2014, de 29 de agosto, que altera o Código Penal, de forma a criminalizar os maus tratos a animais de companhia (cães e gatos). O conceito de maus tratos inclui qualquer tipo de coacção física: dor, sofrimento, privação de alimentos, abandono, mutilação ou morte. A pena de prisão pode ir até aos dois anos de prisão efectiva. Infelizmente, receio que seja mais uma lei para Europa ver.

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terça-feira, Setembro 30, 2014

CITAÇÃO, 501


José Vítor Malheiros, O PS na encruzilhada do seu labirinto, hoje no Público. Excertos, sublinhados meus:

«A primeira consequência da vitória de António Costa nas primárias do PS é que vamos deixar de ver e ouvir António José Seguro na televisão. E isso, só por si, é uma bênção. [...] O homem não se enxergava e, quando isso acontece, é prova não só de uma limitação pessoal mas também de que, à sua volta, existe uma corte de bajuladores que alimentam a cegueira. Seguro era um líder fraco e sabia que era fraco. As suas constantes e penosas declarações de honradez, de perseverança e de coragem (nunca ninguém lhe disse que há qualidades que não se declaram?) eram a prova mais gritante disso mesmo. Mas é evidente que o principal defeito de Seguro foi a sua tépida acção como líder do maior partido da oposição. A sua “abstenção violenta” ficará para a história como uma página de vergonha para o PS e a sua colaboração de facto com o governo mais reaccionário de sempre feriu profundamente a imagem do PS.

E Costa? Costa é em grande medida uma incógnita mas é certamente um líder mais consistente e mais seguro de si, mais culto e mais inteligente, e parece menos mesmerizado pelo neoliberalismo e menos fascinado pela elegânca dos banqueiros do que muitos dos seus colegas de partido, o que significa que poderá liderar um PS mais mobilizado e empenhá-lo numa trajectória politicamente mais ambiciosa e socialmente mais justa. [...]

A esquerda à esquerda do PS olha para Costa com uma invulgar agressividade porque receia a atracção do “voto útil” que Costa poderá representar para o seu eleitorado. O efeito “eucalipto” que Costa pode representar para a esquerda, fazendo o deserto à sua volta, preocupa BE e PCP e não só. Pelo meu lado, penso que a política precisa de políticos inteligentes, honestos e comprometidos com a causa pública e que o país só tem a ganhar se houver partidos dirigidos por pessoas com ideias e a coragem de definir objectivos ambiciosos e construir consensos. Costa pode ser um desses líderes, se tiver a coragem de fazer a revolução social-democrata que o PS nunca fez e se tiver a coragem de fazer uma política que ponha a justiça à frente da finança. O PS nunca o fez antes, fascinado como sempre foi pela realpolitik, e é pouco provável que o faça agora, mas essa seria a única justificação para a sua existência. O que deve fazer a esquerda à esquerda do PS? O seu dever: continuar a defender uma política para as pessoas sem receio de afrontar os poderes ilegítimos da finança, dos mercados e de Bruxelas e demonstrar, em cada momento, a justeza e a justiça das suas propostas  —  como o fez com a ideia da renegociação da dívida. Se o acordo com o PS de Costa é possível e benéfico, só o futuro o dirá.»

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segunda-feira, Setembro 29, 2014

CITAÇÃO, 500


José Pacheco Pereira, O dia um do ano aleitoral, hoje no Público. Excertos, sublinhados meus:

«Hoje começa o ano eleitoral de 2015. O PS passou a partido de oposição. [...] na última semana antes das primárias, houve um encontro secreto entre o secretário-geral da UGT e o primeiro-ministro. [...] As fontes do governo diziam que era fundamental haver um acordo antes do final do processo eleitoral no PS. Percebe-se porquê. O secretário-geral da UGT é um dos principais executantes da política de Seguro, de que foi um dos mais activos apoiantes, prestou-se ao timing propagandístico do governo e à substância de um acordo que fragiliza a segurança social, a mesma que o governo usa como pretexto para as suas previsões neomalthusianas. [...] Que se cuide quem não quiser ver que o PS teve uma das poucas vitórias junto da opinião dos portugueses que é de índole político-partidária.

Já não havia disso desde os anos de brasa da revolução. Havia vitórias e derrotas políticas, ligadas a personalidades, mas uma vitória que pudesse ser assacada a um partido enquanto tal, já não se verificava há muito. [...] Seguro teve um papel paradoxal. Fez todas as escolhas por razões estritas de sobrevivência e, porque não tinha nada a perder, e acabou por ser revolucionário malgré lui-meme.

As primários foram convocadas pelas piores razões do mundo: eram um subterfúgio de Seguro para continuar na liderança do PS mais uns meses, na esperança de que qualquer crise lhe desse uma oportunidade, pressupunham uma estratégia negativa de desgaste do aniversário, que o tempo longo sempre traria [...] Mas o PSD, que amava Seguro com o “coração”, como disse Marcelo Rebelo de Sousa, dificilmente vai perceber o que lhe está a acontecer. Fica-se pela oposição a Costa, quase ao nível da oposição que fazia na autarquia de Lisboa, e não quer, porque não pode, mudar nada. Nem sequer compreendeu que as primárias do PS, em conjunto com a vitória expressiva de Costa, soam a um sino muito preocupante e que nada disto podia hoje acontecer na paz de um cemitério, com os mortos bem firmes a defender as campas, que é hoje o PSD.

A verdade, verdadinha, é que na semana em que o PS andou a fazer as tão menosprezadas eleições internas, com tantos “insultos” e vazio de ideias, o PSD andou às voltas com a Tecnoforma, os esquecimentos bizarros de Passos Coelho, e o que mais se virá a saber dessa misteriosa ONG criada para ir buscar negócios para a Tecnoforma. Alguém troca uma coisa por outra?»

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VITÓRIA FOLGADA


Está feito. Costa venceu as Primárias do PS, obtendo mais do dobro dos votos do seu adversário: 118.454 contra 55.239. Votaram 70,24% dos inscritos. Em Lisboa, Costa venceu por 84,22% [Média de Lisboa FAUL e Lisboa FRO.] Em 23 Federações, o antigo secretário-geral só venceu na Guarda.

Seguro honrou o compromisso assumido e demitiu-se de secretário-geral às 20:45h  —  Sou, a partir deste momento, militante de base. Hoje deverá renunciar ao mandato de deputado e ao cargo de conselheiro de Estado.

Clique na imagem.

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