terça-feira, 23 de maio de 2017

HORROR EM MANCHESTER


Acordo com a terrível notícia do atentado de Manchester: até ao momento, confirmados 22 mortos e 59 feridos graves. Tudo aconteceu no fim do espectáculo da cantora americana Ariana Grande, quando (eram 22:33) um bombista-suicida se fez explodir no foyer do Manchester Arena. Por razões que não vêm ao caso, estive desligado do mundo a partir do princípio da tarde de ontem, razão pela qual só hoje de manhã soube do acontecido.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

PDE

Portugal saiu hoje do Procedimento por Défice Excessivo, situação em que se mantinha desde 2009. Valdis Dombrovskis, vice-presidente da Comissão Europeia, sublinhou: «Este é um dia importante para Portugal.» A gajada da PAF esgotou todo o stock de Guronsan.

domingo, 21 de maio de 2017

TAPAR OU NÃO TAPAR


Na Arábia Saudita, Melania e Ivanka Trump, respectivamente mulher e filha do Presidente americano, desembarcaram e têm participado dos actos oficiais de cabelos ao léu. Fazem elas muito bem. Michelle Obama, Angela Merkel e Theresa May fizeram o mesmo quando ali estiveram em visitas oficiais. O lado anedótico da questão é que Trump havia criticado duramente Michelle Obama por ter feito, em Janeiro de 2015, o que a mulher e a filha estão a fazer. Clique na imagem para conferir.

sábado, 20 de maio de 2017

TEMER O PIOR

Michel Temer, Presidente do Brasil,  foi ontem formalmente acusado de corrupção, organização criminosa e obstrução à justiça. Rodrigo Janot, procurador-geral da República, considera as provas consistentes e «estarrecedoras». Neste momento, o Congresso tem em carteira um total de doze pedidos de impeachment do Presidente. Ministros de três partidos da coligação que sustenta o Governo já se demitiram, alegando indisponibilidade para fazer parte de um executivo que perdeu toda a legitimidade para governar o Brasil. Nas ruas, o povo ulula.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

TIME


Ironias da História. No momento em que a Casa Branca se encontra capturada por um Presidente xenófobo e isolacionista, a Time faz a capa entre todas improvável. Clique na imagem.

NÃO SAIO, DIZ ELE

O Supremo Tribunal Federal do Brasil vai tornar pública, hoje, a gravação da conversa que compromete Temer. Ficaremos a saber o que disse exactamente o Presidente do Brasil. Para quem não sabe, recordar que tudo começou com as denúncias dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS (uma das cinco maiores empresas mundiais da indústria alimentar), no âmbito da processo Lava Jato. Até ontem à noite, tinham dado entrada no Congresso um total de oito pedidos de impeachment de Temer. Nas ruas, o povo grita como gritou contra Dilma.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

LEIRIA & SZERB


Hoje na Sábado escrevo sobre Ficções, de Mário-Henrique Leiria (1923-1980). A obra acaba de ser reunida num grosso volume de mais de setecentas páginas. Com excepção de Cesariny, o Panteão literário português tem sido avaro com os surrealistas. Nem sequer podemos acrescentar O’Neill, porque a sua passagem pelo movimento foi um ápice. Isso talvez explique a desatenção com o autor. Ficções colige contos, a novela Diapasão, teatro, guiões, outro tipo de textos, e até a famosa banda desenhada Mário e Isabel. O volume conta ainda com ilustrações de Cruzeiro Seixas. Responsável pela edição, Tania Martuscelli, crítica de literatura e professora na Universidade do Colorado, fez um rigoroso trabalho de pesquisa no espólio do autor, não deixando nada de fora, inéditos incluídos. Tendo vivido no Brasil durante nove anos (entre 1961 e 1970, para obviar à perseguição da Pide), Mário-Henrique Leiria é sobretudo conhecido por dois livros famosos: Contos do Gin-Tonic, de 1973, e Novos Contos do Gin, de 1974, ambos anteriores à actual moda do gin. Casos de Direito Galático, de 1975, de índole marcadamente política, perfaz o trio que para a maioria dos leitores constitui a obra canónica, caracterizada por truculência verbal, alto teor de corrosão, escrita automática e humor negro. Mas é muito vasto o corpus disperso por jornais e revistas, como esta edição demonstra. Marginal do Meio literário, Mário-Henrique Leiria parodia os gurus respectivos, bem como modas e rituais do establishment. Sobre Barthes e a deriva estruturalista, desconstrói um excerto hermenêutico, laudatório (não identificado), e conclui: «Que chatice! Este país está uma desgraça. Já nem sequer há intelectuais decentes!» O seu universo era de facto outro. Nos fragmentos de O Mundo Inquietante de Josela, de 1975, o nonsense é de regra: «E então não é que, ao chegar-lhe a vez de se servir, o Zeca pega na faca e zás, no pescoço da Madame! Francamente! A cabeça caiu logo no chão. Ficámos embasbacados.» Problema maior do anfitrião… o corpo de Madame não cabia no triturador do lixo. Infelizmente, uma revisão menos atenta faz com que alguns textos sejam indicados no índice com o número de página errado. Quatro estrelas. Publicou a E-Primatur.

Escrevo ainda sobre Viajante à Luz da Lua, de Antal Szerb (1901-1945). Traduzido directamente do húngaro, chegou finalmente à edição portuguesa este famoso romance. Salvo melhor informação, trata-se do primeiro livro do autor a ser publicado no nosso país. Em Dezembro de 1944, não foi a origem judaica a causa da deportação para o campo de Balf, onde seria espancado até à morte no mês seguinte. Foi o teor do capítulo sobre literatura soviética que escreveu em História da Literatura Mundial (1941), ao arrepio do Diktat do regime comunista húngaro. Académico respeitado, homem do mundo, tradutor heterodoxo (P. G. Wodehouse e outros), Szerb ganhou notoriedade internacional quando, em 1994, Viajante à Luz da Lua foi traduzido para a língua inglesa. Publicado em 1937, o romance conta a história de um casamento falhado e consequente itinerância sexual. Então em voga, a psicanálise explica a personalidade e o comportamento de Mihály a partir da lua de mel em Veneza. As reflexões do autor sobre o ar do tempo são premonitórias da iminência da loucura que iria mergulhar a Europa nas trevas. Seria pleonástico insistir no classicismo da escrita do autor. Quatro estrelas. Publicou a Guerra & Paz.

sábado, 13 de maio de 2017

RANSOMWARE


Já se sabe um pouco mais do ciberataque global de ontem. Foram atacados serviços e empresas de 74 países, sendo os mais afectados a Espanha, o Reino Unido, o Egipto, a China, a Itália, a Rússia, Taiwan, a Ucrânia e a Índia. No Reino Unido, o National Health Service entrou em colapso: os serviços não têm acesso aos dados dos doentes, tendo sido canceladas todas as consultas e centenas de operações. Na Rússia, os computadores no ministério do Interior foram seriamente afectados. Em Espanha, a Telefónica ficou out. Portugal não escapou, tendo os principais alvos sido a EDP e a PT. Por junto, foram afectadas 99 cidades. Tratou-se de um ataque de ransomware, ou seja, de encriptação maliciosa de dados. Segundo o New York Times, os hackers apropriaram-se do WannaCry, um software malicioso desenvolvido na NSA e, com ele, executaram o ciberataque planetário.

Clique na imagem do NYT para ver melhor.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

CIBERATAQUE

Vários países europeus, incluindo Portugal, Espanha e o Reino Unido, estão a ser alvo de um ataque informático em larga escala. Como medida de precaução, a EDP desligou toda a sua rede informática às 15h. Na PT, idem. Vários Bancos fizeram o mesmo. A Telefónica espanhola está out. Há relatos, no Twitter, de terminais de ATM desligados. Aparentemente, o busílis reside nas famosas Clouds, as quais, neste momento, estão em parte incerta. Os hackers pedem resgate em bitcoins. O ciberataque terá origem no Brasil.

EUROSONDAGEM


Maioria de Esquerda = 55,6%. A diferença entre o PS e o PSD continua a ser de dez pontos. E, mesmo sozinho, o PS ultrapassa a PAF, que soma 35,9%. Clique na imagem do Expresso para ler melhor.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

ALEXANDRE O'NEILL


Hoje na Sábado escrevo sobre Poesias Completas & Dispersos, de Alexandre O'Neill (1924-1986). Não é a primeira vez que a poesia completa do autor chega às livrarias. Esta nova edição, da responsabilidade de Maria Antónia Oliveira, sua biógrafa, inclui sete poemas inéditos, bem como quarenta e dois textos dispersos em jornais, revistas, discos e catálogos de arte. A seriação dos dispersos é cronológica. Na notal final que antecede o posfácio, Maria Antónia Oliveira dá conta do critério adoptado. Alexandre O'Neill foi, durante algum tempo, olhado com um módico de troça, desdém e maledicência por vários dos seus contemporâneos. Nascido no seio de uma família tradicional, teve uma educação liberal e uma avó sufragista que publicou versos, romances e traduções de Dumas. Os Verões passados em Amarante, onde vivia um tio-avô conotado com o reviralho, foram decisivos para a sua formação. Ali privou com Pascoaes e Bento de Jesus Caraça. Isento do serviço militar, começou a trabalhar assim que terminou o liceu. Em 1947, no MUD-Juvenil, conheceu Cesariny, que o juntou ao grupo de fundadores do Surrealismo português. Desse tempo breve ficou A Ampola Miraculosa, narrativa gráfica (1948). O primeiro livro, Tempo de Fantasmas, estabelece a dissidência. Seria preciso esperar pelo segundo, No Reino da Dinamarca (1958), para ser reconhecido como uma das vozes centrais da poesia portuguesa do século XX. Expulso da função pública por recusar luto na morte de Carmona, preso em 1953 por ter ido ao aeroporto esperar Maria Lamas, O’Neill foi tudo menos um acomodado. Em 1950, quando conhece a búlgara Nora Mitrani, tem uma epifania. Mas a mãe intercede junto da Pide para ser negado passaporte ao filho. Ficaram os versos: «Não podias ficar nesta cama comigo / em trânsito mortal até ao dia sórdido / canino / policial / até ao dia que não vem da promessa / puríssima da madrugada / mas da miséria de uma noite gerada / por um dia igual […]» O poema, Um Adeus Português, faz parte do cânone nacional. Fora antologias e narrativas em prosa, deixou-nos onze livros de poesia. Traços distintivos: lirismo autocrítico, desconstrução da tradição pícara e confronto mordaz com o quotidiano português, em particular o modo funcionário de viver. Cinco estrelas. Publicou a Assírio & Alvim.

terça-feira, 9 de maio de 2017

BAPTISTA-BASTOS 1934-2017


Morreu hoje Armando Baptista-Bastos, jornalista e escritor que o país inteiro conhecia simplesmente como Baptista-Bastos. BB, como era tratado no milieu, começou a escrever em jornais em 1953. Escreveu em quase todos, escreveu sobre quase tudo, entrevistou quase toda a gente que conta, fez reportagens, e ainda teve tempo para nos deixar oito romances, colectâneas de crónicas e volumes de ensaio. Também trabalhou na rádio, na televisão e em cinema. Resumindo: durante mais de sessenta anos, nunca esteve parado. Ficou célebre a série de dezasseis entrevistas encomendadas pelo Público, em 1999, com a pergunta famosa: «Onde é que você estava no 25 de Abril?» Com a sua morte desaparece uma das testemunhas centrais do século XX português. Se nunca leu, vá à procura de Cão Velho Entre Flores, romance de 1974. Sim, era um homem de Esquerda, mas até a Direita ultramontana o respeitava. Tinha 83 anos.

VALLS NUNCA DESILUDE

Macron toma posse no próximo domingo, dia 14. Ontem soube-se que o seu movimento, En Marche!, concorrerá às eleições legislativas de Junho com nova designação: La République en Marche. Na qualidade de presidente eleito, Macron abandonou a liderança partidária, sendo substituído interinamente por Catherine Barbaroux. O congresso de meados de Julho confirmará, ou não, a nova direcção.

Frisson do dia: Manuel Valls, antigo primeiro-ministro e candidato derrotado nas primárias do PS, vai abandonar os socialistas e quer concorrer nas listas da... République en Marche:

«Comme j’invite d’ailleurs tous les députés sortants, les progressistes, ceux qui ont appelé à voter Emmanuel Macron avant le premier tour, ceux qui souhaitaient sa victoire, moi je serai candidat de la majorité présidentielle, et souhaite m’inscrire dans ce mouvement qui est le sien, la République en marche».

Sempre achei o homem um videirinho. Parece que tinha razão.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

CAPA & CONTRACAPA


Capa e contracapa do Libé. Mas a ideia não é nova: o Diário de Notícias fez o mesmo em 14 de Junho de 2005, com Álvaro Cunhal e Eugénio de Andrade, que tinham morrido ambos na véspera. Clique na imagem para ver melhor.

FICOU ASSIM


Os números oficiais. Mais de 16 milhões de eleitores (exactamente 16 170 672) preferiram abster-se, votar branco ou nulo. Apesar de tudo, ainda não foi a débâcle da França dos valores europeus. Clique na imagem para ler melhor.

A FRANÇA ACORDOU?


Apesar de uma abstenção alta — 25,4% é um valor elevado para a tradição francesa —, a história acabou bem. No entanto, os 66,06% de Macron significam que um terço dos eleitores (os que votaram Le Pen) continua a rever-se na extrema-direita mais xenófoba. A imagem é do Monde. Clique nela.

domingo, 7 de maio de 2017

MACRON


As primeiras projecções. Imagem do Monde. Clique para ver melhor.

BLASÉ OU OUTRA COISA?

Números oficiais: até às cinco da tarde (em França) tinham votado 65,3% dos eleitores. Na primeira volta, até à mesma hora, tinham votado 69,5%.

MACRONLEAKS


A história repete-se. A exemplo do que aconteceu na campanha de Hillary, quando milhares de documentos internos no comité eleitoral Democrata foram pirateados, chegou a vez de Macron ser vítima de igual devassa. O movimento político En Marche!, que suporta a campanha do candidato, confirmou ter sido hackeado anteontem à noite. Um ataque massivo e coordenado deu origem à difusão de vasta documentação interna, grande parte da qual está a ser manipulada e truncada nas redes sociais e em tablóides europeus, russos e americanos.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

PATRÍCIA REIS


Hoje na Sábado escrevo sobre o romance mais recente de Patrícia Reis (n. 1970), A Construção do Vazio. Toda a literatura é circular. Vários personagens do livro andam connosco há uma década. O ciclo fechou. Patrícia Reis é muito hábil na forma como dá vida ao universo ficcional que construiu a partir de No Silêncio de Deus (2008). Nessa altura chegou Manuel Guerra, entretanto falecido, em casa de quem o manuscrito que agora vê a luz do dia teria sido encontrado. Depois, Por Este Mundo Acima (2011) trouxe Sofia, nascida para ser vítima de humilhação e abuso, obrigada a sobreviver sabendo que nem toda a maldade será castigada. Tentando obliterar os fantasmas da infância, Sofia é uma menina-tesoura enclausurada no vazio em que cresceu. A escrita seca de Patrícia Reis não dá azo a delíquios. Pelo contrário: as palavras têm a exactidão dos factos. Neste caso, o horror da violência em família. Sofia tem dez anos e o pai faz dela o que lhe apetece: «De quatro, como um animal, na casa de banho, amarrada à força do meu pai…». A mãe faz por ignorar. O desfecho indicia outra vida, mas a insegurança persiste. Seguro, só o domínio narrativo da autora. Quatro estrelas. Publicou a Dom Quixote.